Fila de pacientes para transplante de córnea cresce e reforça a missão da oftalmologia

Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de pacientes em fila de espera para transplante de córnea variava entre 23 mil e 17 mil entre 2008 e 2011. De 2012 a 2019, essa fila caiu de forma expressiva, estabilizando-se entre oito e 10 mil pacientes. No entanto, desde então, o cenário mudou: atualmente, mais de 33 mil pessoas aguardam por um transplante de córnea, mais que o dobro em comparação a 2020, quando havia 16 mil pacientes na fila.

Essa reversão está diretamente ligada à pandemia de COVID-19, período em que os transplantes de córnea eletivos ficaram suspensos por meses em todo o país, resultando em uma redução de 50% nos procedimentos em 2020. A recuperação foi gradual, e somente em 2024 o Brasil conseguiu ultrapassar o marco de 2017, alcançando 17.109 transplantes realizados.

Entretanto, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o crescimento registrado ainda está distante de suprir a real demanda. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou redução de 0,6% no número de transplantes em relação ao mesmo período de 2024, e atualmente, estamos 27,4% abaixo da taxa necessária para alcançar a chamada “fila zero” (estimada em 110 pmp).

Diante desse cenário, a Oftalmologia brasileira incluindo a Sociedade Brasileira de Córnea e Banco de Tecidos, reafirma seu compromisso com a saúde ocular. O Banco de Olhos do Hospital São Paulo / HU-Unifesp é um exemplo concreto desse esforço: no primeiro semestre de 2025, registramos um crescimento de 242,6% no número de captações em relação ao mesmo período de 2024, resultado da estratégia de manter técnicos em banco de olhos atuando de forma permanente em grandes hospitais de São Paulo. Além disso, estruturamos o curso “Treinamento Teórico e Prático em Seleção de Doadores de Tecidos Oculares e Enucleação”, oferecido sob demanda ao longo do ano para a formação de novos técnicos. Paralelamente, promovemos capacitações específicas sobre doação de córneas para equipes de CIHDOTT, em parceria com a Central Estadual de Transplantes. Também realizamos campanhas de conscientização voltadas a profissionais de saúde, em comemoração ao “Setembro Verde”.

Reforçando esse compromisso, a Oftalmologia do Hospital São Paulo inicia o preparo de lamelas para transplantes endoteliais (DSAEK e DMEK), ampliando a capacidade de atendimento e oferecendo novas perspectivas a pacientes que aguardam por esse tipo de cirurgia.

As iniciativas promovidas no “Setembro Verde” e ao longo de todo o ano mostram que a união de profissionais de saúde, instituições e sociedade é essencial para o avanço das atividades dos bancos de olhos e, consequentemente, aumenta a disponibilidade de córneas para transplantes.

Dra Ludmila Nascimento

Diretora Médica do Banco de Olhos do Hospital São Paulo/Unifesp

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